Archive for the ‘Ebooks’ Category

Eletrolivros, cachorros e linguiças ou “e-book caindo n’alma é germe que faz a palma”

05/10/2011

Caros colegas,

Qual não foi minha surpresa quando, ao olhar as estatísticas do blogue, me deparei com o fato de que o livro A língua portuguesa no Brasil, que coloquei à disposição no penúltimo post, já foi baixado mais de 240 vezes desde a última semana.

Há não muito tempo, assistia a uma entrevista com um crítico francês que deplorava o e-book e falava sobre o quanto o mundo vai se emburrecer quando não mais existirem livros em papel. Venho humildemente dizer que não partilho da opinião do citado senhor. Não se pode, e nem se deve, confundir continente com conteúdo. Os contos de O. Henry, os poemas de Mário Quintana, os quadrinhos de Milton Caniff e os artigos de J. L. Austin não são belos por estarem impressos em papel. Eles são belos porque possuem esta capacidade quase mágica de nos encantar, maravilhar, e, às vezes, fazer brilhar em nossos olhos um pouquinho da centelha que certamente um dia luziu na retina destes autores.

Sim, meus colegas, os nossos antepassados que viveram antes de Gutenberg e antes dos códices nada perderam por lerem em pergaminhos, manuscritos ou sutras. Aqueles que viverem depois de nós nada perderão simplesmente por lerem os textos em telas, tablets ou em hologramas. Quem sobreviverá será a palavra escrita.

Obviamente, sempre haverá aqueles que estão convencidos que o mundo está cada vez pior, que a arte está cada vez mais vituperiosa e que os jovens estão cada vez mais boçais. Eles sempre nos contarão que em suas épocas tudo era melhor, as pessoas eram mais honestas e cultas e havia um certo censo de inocência e amizade em todas as relações. Eles apenas se esquecem que antes deles também pensavam assim os seus pais e os avós de seus pais e os tataravós dos bisavós de seus trisavós. Sempre houve no mundo o grotesco, mas é simplesmente por isso que sempre houve no mundo o maravilhoso.

Graças a essas novas tecnologias, um livro esgotado há quase um século pôde novamente ser lido e descoberto. Será que é preciso mais algo para mostrar que e-book não é um demônio?

Certezas, eu as tenho muito poucas na vida, mas uma é, para mim, mais do que certa: nunca, jamais, (mas nunca mesmo!) se amarrou cachorro com linguiça; nem mesmo na época que a linguiça ainda se escrevia com trema.

Anúncios

“Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais” ou Se o Google Books não faz…

24/09/2011

Caros leitores e colegas,

Após este longo período de férias, o blogue linguisticamente volta à ativa  com algumas novidades.

Nos próximos meses, o blogue será enriquecido com alguns materiais que, penso, serão do agrado de muitos dos linguistas que nos acompanham. Dentre as novidades destacam-se:

algumas edições em fac-símile de livros raros e completamente esgotados; traduções de artigos ainda inéditos em língua portuguesa; registros raros das vozes de alguns dos maiores poetas brasileiros e portugueses e vídeos exclusivos, como um documentário com Roman Jakobson.

Brevemente publicarei também dois textos sobre experiências que tive em Macau ao participar do III SIMELP no final do mês de agosto passado.

O post de hoje traz com exclusividade o e-book com a edição fac-símile de A língua portuguesa no Brasil escrito pelo patrono da cadeira 32 da Academia Brasileira de Filologia, o pernambucano Solidônio Atico Leite. Esta obra raríssima foi publicada pela primeira e única vez em 1922 no Rio de Janeiro pela editora J. Leite & Cia. Esperamos que seja de alguma utilidade para os filólogos, lingüistas históricos e demais interessados que nos acompanham. É a nossa forma de contribuir com a preservação da memória da lingüística brasileira e prestar uma homenagem a todos os que nos precederam e sem os quais dificilmente aqui estaríamos.

OS: O livro encontra-se obviamente em ortografia antiga. Servirá seguramente para que alguns relativizem as coisas e se apercebam que, afinal, o novo acordo ortográfico não mudou tanta coisa assim.

Para baixar o livro, basta clicar aqui.

Bem hajam.


%d blogueiros gostam disto: